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quinta-feira, 14 de junho de 2018

QUARTA CENA: OS TRABALHADORES DA VINHA


PORQUE o reino dos céus é semelhante a um homem, pai de família, que saiu de madrugada a assalariar trabalhadores para a sua vinha. E disse-lhes: Ide vós também para a vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram. Saindo outra vez, perto da hora sexta (horaékete) e nona, fez o mesmo (Mt 20,1.4-5).
A parábola dos trabalhadores enviados à vinha deixa claro que cada um dos contratados para assumir o trabalho teve sua hora de ser convocado. Alguns foram chamados ao meio-dia. Considerado que o dia para o judeu tinha doze horas (Jo 11,9), podemos afirmar que aqueles que foram contratados ao meio-dia, se incluíam no grupo daqueles que já não tinham mais esperança de encontrar um trabalho. No entanto, uma surpresa, o contratante (pai) encontra-os e envia-os para a labuta.
Esta parábola nos ensina que o meio-dia da nossa vida pode ser a hora em que Deus vem ao nosso encontro para nos comprometermos com o seu Reino. O encontro com Ele, no meio-dia da nossa existência, exige que saiamos da nossa “praça do comodismo” para colocar-se a disposição da missão que nos é confiada.

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Lúcio Rufino Pinheiro

QUINTA CENA: A CRUCIFIXÃO DE JESUS


E desde a hora sexta (éketes horas) houve trevas sobre toda a terra, até à hora nona. E perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? (Mt 27, 45-46).
O meio-dia de Jesus foi a hora mais dolorosa de sua vida. Na cruz, se encontrava numa situação de sofrimento, da humilhação e da angústia. Abandonado por muitos de seus seguidores, Jesus faz a experiência da solidão. Foi tentado pela última vez a não assumir a missão de Redenção, ou seja, “descer da cruz” (Mt 27,40). No entanto, esvazia-se de si mesmo e se entrega totalmente a vontade do Pai.
Como Jesus, no meio-dia da nossa vida, nos deparamos com situações extremantes dolorosas. Nesta hora, somos tentados a desanimar por não encontramos sentido para viver. É exatamente nesta hora do meio-dia que somos chamados a tomar uma decisão: assumir a cruz com amor ou fugir dela.

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Lúcio Rufino Pinheiro

SEXTA CENA: ENCONTRO DE PAULO COM JESUS NO CAMINHO DE DAMASCO


Ora, aconteceu que, indo eu já de caminho, e chegando perto de Damasco, quase ao meio-dia,(mesembrían) de repente me rodeou uma grande luz do céu (At 22,6). 
O meio-dia de Paulo se caracterizou por um encontro inesperado com Jesus Ressuscitado no caminho de Damasco. Paulo foi envolvido por uma luz que o fez cair em si mesmo (caiu por terra) (At 9,3-4) e descobrir sua cegueira. Paulo passa a conhecer o Jesus que ardorosamente perseguia. A experiência com Jesus, fez com que o seu meio-dia fosse profundamente marcado por uma transformação radical em sua vida. Aquele que antes perseguia é determinado pelo Senhor a levanta-se e percorrer não mais o caminho dos perseguidores, mas dos apóstolos, de suas testemunhas, daqueles que seguiam o Caminho.
Na experiência de Paulo com Jesus, a hora do meio-dia foi transpassada pela conversão, por uma mudança de pensamento, sentimentos e atitudes. Assim também, no meio-dia da nossa vida, somos interpelados a percorrer caminho de Damasco para encontra-se com Jesus e assim mudarmos de vida. O meio-dia de nossa vida será sempre aquele que fizermos um encontro pessoal e transformador com o Ressuscitado.

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Lúcio Rufino Pinheiro

SÉTIMA CENA: VISÃO DE PEDRO


E no dia seguinte, indo eles seu caminho, e estando já perto da cidade, subiu Pedro ao terraço para orar, quase à hora sexta(horan éketen). E tendo fome, quis comer; e, enquanto lho preparavam, sobreveio-lhe um arrebatamento de sentidos. E viu o céu aberto, e que descia um vaso, como se fosse um grande lençol atado pelas quatro pontas, e vindo para a terra (At 10,9-10).
O meio-dia era a hora que todo piedoso judeu fazia sua oração. Pedro, estando em oração, tem uma extraordinária experiência espiritual: “viu o céu aberto”. O conteúdo da revelação que Pedro teve era revolucionário. Deus mostra a Pedro que também os pagãos são destinatários da salvação. O convite feito a Pedro para comer os alimentos (At 10,13) se tratava de acolher os gentios na comunidade cristã sem obrigá-los ao cumprimento das leis judaicas. Através dessa revelação, Pedro muda seu pensamento em relação aos povos que não eram Judeus, pois Deus lhe mostrara que “a nenhum homem se deve chamar de profano e impuro” (At 10,28).
Na experiência de Pedro, o meio-dia é rico de significado. É a hora que se dar a comunicação de Deus com o homem. A oração é o canal que possibilita o conhecimento dos desígnios divinos. O céu se abre quando voltamos nossa mente e coração para Deus. Ao contemplarmos as realidades celestes somos convidados a repensar sobre nosso modo de se relacionar com os irmãos. O meio-dia torna-se a hora da transformação da nossa maneira de pensar e agir.
Quem faz a experiência orante, no meio-dia de sua vida, passa a compreender como Pedro que “Deus não faz acepção de pessoas, mas que, em qualquer nação, quem o teme e pratica a justiça, lhe é agradável” (At 10,34). A hora do meio-dia torna-se o tempo propicio da descoberta da verdadeira face de um Deus que acolhe no seu plano de salvação todo aquele que o busca de coração sincero.
As cenas bíblicas mencionadas e comentadas nos permite compreender que o meio-dia não se refere simplesmente a um tempo cronológico, mas é carregado de um significado teológico espiritual. O meio-dia não é somente a hora mais quente do dia, mas a hora em que o coração do homem é aquecido pela luz divina, proporcionando-lhe uma transformação em sua vida.

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Lúcio Rufino Pinheiro

CONCLUSÃO DO TEMA DO MEIO-DIA


A pesquisa bíblica nos permite chegar a conclusão que o meio-dia tem um profundo significado teológico espiritual e antropológico.
Na visão teológica espiritual o meio-dia é a hora de Deus e do homem. De Deus quem vem ao encontro do homem, e do homem que se deixa encontrar por Ele. Nesse encontro, se estabelece uma relação de intimidade, de diálogo, conhecimento do amado (Deus) com a amada (pessoa humana).
A hora do meio-dia não é simplesmente a hora do repouso físico (sesta) mas do repouso em Deus, ou seja, passamos a sentir sua presença amorosa que proporciona um estado de harmonia interior.
O meio-dia é a hora da decisão do homem diante de Deus, de sua crise, de sua tentação, da descoberta de si mesmo e da vontade de Deus e da sua conversão para uma vida nova que brilhe como o sol do meio-dia.
A partir de uma visão meramente antropológica o meio-dia diz respeito a hora em que o homem se confronta consigo mesmo, suas crises, desafios, frustrações, tristezas, desânimos.
A experiência do meio-dia pode se dá nas mais variadas situações da nossa vida. Por isso, é necessário vigilância para perceber os sinais dos tempos que apontam a presença de Deus. Ele sempre se faz presente, no entanto, a sonolência da fé quando nos atinge pode impedir-nos de descobri-lo. Deus não está longe de nós, mas somos nós que não aprendemos ou temos dificuldades contemplar a sua presença. Como Jacó, é necessário acordar do sonho, e reconhecer que “Na verdade o SENHOR está neste lugar; e eu não o sabia” (Gn 28,16).

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Lúcio Rufino Pinheiro

Referências:
A SOMBRA: A meia idade como descida ao mundo subterrânio. Disponível em: <http://oladosombra.wordpress.com/2007/11/05/a-meia-idade-como-descida-ao-mundo-subterraneo/>. Acessado em: 19 de abril de 2011.
BÍBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Paulinas, 2006.
BIBLE WORKS
CALLIGARIS, Contardo. Zoé e o demônio do meio-dia. Disponível em: <http://orientacaopsi.blogspot.com/2008/12/zo-e-o-demnio-do-meio-dia-contardo.html>. Acessado em: 19 de abril de 2011.
HENRIQUETA, Lisboa (Org). Antologia de poemas para a infância. São Paulo, Ediouro, 2001.
LELOUP, Jan-Yves. Introdução aos “verdadeiros filósofos”: os Padres Gregos: um continente esquecido do pensamento ocidental. Petrópolis, RJ: 2003.
LOZANO, Enrique Martinez. Nossa face oculta. São Paulo: Loyola, 2008.
PESSOA, Fernando. Poemas completos Alberto Caeiro. São Paulo: Nobel, 2008.
SAINAI, Cláudio. Jung e a educação: uma análise da relação professor\ aluno. São Paulo: Escrituras Editora, 2000.
SAYÃO, Luiz. Novo Testamento Trilingue: Grego, português e inglês. São Paulo: Vida Nova, 1998.
SHARP, Daryl. Ensaios de sobrevivência: Anatomia de uma Crise de Meia-idade. São Paulo: Cultrix, 1998.
Sophia Perennis. Akedia. Disponível em: < http://www.sophia.bem-vindo.net/tiki-index.php?page=akedia>. Acessado em: 18 de abril de 2011.
WILDE, Oscar. O retrato de Dorian Gray. Trad. João do Rio. São Paulo: Hedra, 2006.


REFORMA PROTESTANTE X IGREJA CATÓLICA ROMANA

A Igreja Católica Apostólica não pode ser reduzida a uma única instituição, a Igreja de Roma. A história aponta que existiam no início vários núcleos do Cristianismo: Jerusalém, Samaria, Antioquia, Roma, etc. O que aconteceu é que Roma tomou para si o poder sobre as outras comunidades. Com todo respeito a sua opinião ou convicção, mas não podemos resumir o corpo místico de Cristo a uma instituição religiosa. Fazem parte da Igreja de Cristo todos aqueles que escutam e obed...ecem a voz do verdadeiro Pastor, Jesus. A Reforma Protestante, apesar de suas intenções políticas, foi importante para que a Igreja Católica da época pudesse reconhecer muitos dos seus erros. O problema é que a Igreja Romana não foi humilde para aceitar ser corrigida, preferiu continuar no seu orgulho a ter que aceitar a verdade da Palavra que diz: somos salvos pela graça e não simplesmente por obras. O que Lutero criticava, a venda da salvação, era justo. Ainda hoje é preciso a Igreja Católica Romana ser reformada, voltar às fontes do Cristianismo. Temos o que comemorar com 500 anos da Reforma Protestante, pois ela significou não uma divisão simplesmente , mas o desejo de renovação de uma instituição eclesiástica que encontrava-se cega pela riqueza, poder e prestígio.

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Lúcio Rufino Pinheiro

EDUCAÇÃO X BRASIL

A educação no nosso país está muito crítica. Falando para os alunos sobre o dia nacional da consciência negra, fiz três perguntas. Primeira: O que era um quilombo? Respondeu o aluno: " é aquilo que tem no carro professor" (ele estava se referindo a quilometragem do carro). Segunda pergunta: Em que ano ocorreu a "libertação" dos escravos? Respondeu: "Em 2003". Terceira pergunta: Como se chama a lei que "libertou" os escravos assinada pela princesa Isabel? Respondeu: "Lei Maria da Penha" . Eu não fiz mais perguntas pra não confundirem Zumbi dos Palmares com Nelson Mandela. É pra sorrir ou chorar?

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Lúcio Rufino Pinheiro