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terça-feira, 3 de março de 2020

PAGAMOS PELOS ERROS DOS NOSSOS ANTEPASSADOS?



Muitos acreditam que o mal que uma pessoa sofre é resultado de uma maldição divina. Assim, a doença, o insucesso sentimental, uma crise financeira, uma tragédia e tantas outras situações desagradáveis nada mais são do que punições pelos pecados cometidos pelos seus antepassados.
Tal compreensão é resultado de uma interpretação equivocada do texto bíblico que se encontra no livro do Êxodo 20. 5 que diz: “Porque eu sou o Senhor teu Deus que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira geração daqueles que me aborrecem”. A partir desse texto podemos afirmar que Deus pune uma pessoa pelo pecado de outra? É claro que não. O texto de êxodo trata sobre o pecado da idolatria, abominável aos olhos de Deus. A idolatria era uma prática que contaminava as famílias de tal maneira que os filhos imitavam os costumes de seus pais e acabavam sofrendo as mesmas consequências. Ou seja, os filhos não sofriam porque seus antepassados pecaram, mas porque tiveram as mesmas atitudes reprovadas por Deus, porque também aborreceram ao Senhor.
Na Bíblia, existe um texto que afirma com clareza que não pagamos pelos erros dos nossos antepassados. Vejamos o que diz o profeta Ezequiel 18. 20: “A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai, a iniquidade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a perversidade do perverso cairá sobre este”.
O texto de Ezequiel foi escrito para corrigir aqueles que pregavam que Deus punia alguém pelo pecado de outro (Cf. Ez 18.2,3).  Deus seria injusto se condessasse um filho pelo erro de seu pai, avô ou bisavô.
 É verdade, que tudo o que falamos ou fazemos têm consequências positivas e negativas na nossa vida e na vida daqueles com os quais convivemos. A Bíblia diz na Carta aos Gálatas 6. 7-8  que “Aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito colherá vida eterna”.
Na passagem bíblica da cura do cego de nascença que se encontra no Evangelho de João no capitulo 9. 1-3,  os discípulos de Jesus perguntaram: “Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Respondeu Jesus: Nem ele pecou, nem seus pais, mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus”. Com sua resposta, Jesus rejeita a crença, presente entre muitos do povo de Israel, que todo o sofrimento é resultado de um pecado, uma punição pelos erros dos pais ou de algum pecado cometido por aquele que sofre.
 Portanto, segundo o testemunho bíblico apresentado, Deus não condena os pecados dos pais nos filhos.  Cada um é responsável diante de Deus pelos seus atos. Rm 14.12:  “Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus”.  Aliás, não tem sentido para um cristão acreditar em “maldição hereditária”, isso é, pecados na família que têm consequências para várias gerações, pois Cristo, pela sua Redenção, de forma eficiente e eficaz, nos libertou da maldição da lei, pagou nossa culpa diante de Deus de forma que a maldição prescrita na lei já não tem nenhum efeito sobre nós (Cf. Cl 2.13-15; Gl 3.13).

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Lúcio Rufino Pinheiro

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