"Ninguém,
pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou
de lua nova, ou de sábados, que são sombras das coisas vindouras; mas o corpo é
de Cristo" (Cl 2.16-17).
O
que Paulo quis dizer com "sombra das coisas vindouras"? O que haveria
de vir? E de quem é a sombra no texto?
Paulo
combate a heresia existente entre os colossenses. Adverte os cristãos de
Colossos “para que ninguém vos engane com raciocínios falazes” (Cl 2.4).
Essa heresia tinha relação com práticas
judaicas como circuncisão (Cl 2.11), festas (Cl 2.16) e alimentos e vestimentas
(Cl 2.20-22). Os versículos 16 e 17 do capitulo 2, tratam da advertência de
Paulo sobre o cerimonialismo. Especificamente, o versículo 16 faz referência a
um calendário de culto: “dias de festa”, “lua nova”, “sábados”. Por mencionar o “sábado”, tudo indica que
existia algum aspecto judaico na heresia colossense. No versículo 17, Paulo diz
que “tudo isso”, as práticas cerimonias, “tem sido sombra das coisas que haviam
de vir”. Paulo, em Rm 15.4 e 1Cor 10.1-11, afirma que tudo o que foi escrito,
ou seja, o Antigo Testamento, tinha como finalidade nos ensinar, de nos deixar
exemplos , de nos advertir de forma que
não repitamos os mesmos erros do povo da Antiga Aliança. Tudo o que foi escrito
encontra seu sentido completo, pleno em Cristo. “O corpo é de Cristo” (Cl 2.17).
Paulo usa o termo σῶμα (Soma).
Aqui tem sentido figurado daquilo que é real, total, completo, ou seja, a
realidade encontra-se em Cristo. Em Cristo, através de sua encarnação, “nele,
habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl 2.9). Diante da
realidade que é Cristo, plenitude da Divindade, todas as cerimonias podem ser
omitidas e ninguém pode ser julgado se não praticá-las (Cf. Cl 2.16), pois elas
são apenas “sombras”, em grego, σκιὰ (skia),
que significa: sobra,
obscuridade, trevas, aparência, coisa sem valor (Cf. texto grego: Mt 4.16; Lc
1.79; At 5.15; Hb 8.5).
Portanto, em
Cristo, aquele que havia de vir, tudo encontra seu sentido pleno. As
cerimônias, inclusive a guarda do sábado, são sombras, diante de Cristo. Depois
do Evangelho, Cristo encarnado, todas as práticas cerimoniais antigas são ressignificadas
ou até mesmo podem ser omitidas sem que sejamos julgados por isso. “Para a
liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos
submetais, de novo, a jugo de escravidão” (Gl 5.1).
DISTANCIAMENTO
DA GUARDA DO SÁBADO
No
Antigo Testamento Deus descansou de suas obras. No Novo Testamento, Deus
continua trabalhando: "Por isso os judeus perseguiram a Jesus, porque
fazia estas coisas no sábado. Mas Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até
agora, e eu trabalho também. Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam
matá-lo, porque não só violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu
próprio Pai, fazendo-se igual a Deus" (Jo 5.16-18). Jesus e os apóstolos
eram judeus, por isso, muitas vezes foram à sinagoga ou ao templo para
participar das orações determinadas. No entanto, após a ascensão de Jesus, os
cristãos passaram a se distanciar de algumas práticas judaicas, inclusive o
sábado. O dia do Senhor passa a ser o primeiro dia da semana, o domingo. Em At
20.7 está escrito: "No primeiro dia da semana, tendo-nos reunido a fim de
partir o pão..." A expressão "partir o pão" significa a
celebração da ceia cristã (culto).
COM RELAÇÃO AO TEXTO DE
ATOS 17.2
“Paulo,
segundo o seu costume, foi procura-los e, por três sábados, arrazoou com eles
acerca das Escrituras”.
Os
“defensores do Sábado” se baseiam nesse texto para dizer que Paulo continuou
observando o sábado, como dia sagrado. Porém, o texto de Atos não diz que Paulo
foi à sinagoga para cumprir preceito, mas para "discutir". Como
estando entre os gregos, foi também em um de seus templos (Cf. At 17.16-31).
Nem por isso, guardava costumes gregos.
COM
RELAÇÃO AO TEXTO DE ATOS 22.3
“Sou
judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas criado nesta cidade. Fui instruído
rigorosamente por Gamaliel na lei de nossos antepassados, sendo tão zeloso por
Deus quanto qualquer de vocês hoje”.
Questionam
os defensores do sábado: “Como não observava a guarda de nenhum dia se ele
mesmo se define como instruído e zeloso da lei dos judeus?”
Com
relação ao questionamento acima, afirmamos: Paulo faz um relato da sua
conversão, lembrando-se de sua vida passada quando vivia nos preceitos do
judaísmo. O texto não indica que ele seguia, a partir de sua conversão, os
costumes judaicos.
Portanto, o texto de Atos 22.3 não é argumento seguro para sustentar que Paulo continuou seguindo os costumes judaicos. Pelo contrário, Paulo utilizou-se de seus conhecimentos e experiência no judaísmo, para apresentar o Evangelho para os próprios judeus.
Portanto, o texto de Atos 22.3 não é argumento seguro para sustentar que Paulo continuou seguindo os costumes judaicos. Pelo contrário, Paulo utilizou-se de seus conhecimentos e experiência no judaísmo, para apresentar o Evangelho para os próprios judeus.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS:
Após
a ressurreição de Jesus, os cristãos não mais passaram a observar o sétimo dia,
mas o primeiro dia da semana como dia descanso. O domingo é para os cristãos o “dia
do Senhor” (κυριακῇ ἡμέρᾳ
-Cf. Ap 1.10) em memória de sua
ressurreição (Cf. At 20.7;1Cor 16.2). Todos os dias são santos para o Senhor. No
entanto, os cristãos reservaram o domingo para santificarem suas próprias vidas
na escuta da Palavra e na adoração ao Senhor.
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Lúcio Rufino Pinheiro
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