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sábado, 7 de dezembro de 2019

DIA DO SENHOR (DOMINGO)


"Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados, que são sombras das coisas vindouras; mas o corpo é de Cristo" (Cl 2.16-17).
O que Paulo quis dizer com "sombra das coisas vindouras"? O que haveria de vir? E de quem é a sombra no texto?
Paulo combate a heresia existente entre os colossenses. Adverte os cristãos de Colossos “para que ninguém vos engane com raciocínios falazes” (Cl 2.4).  Essa heresia tinha relação com práticas judaicas como circuncisão (Cl 2.11), festas (Cl 2.16) e alimentos e vestimentas (Cl 2.20-22). Os versículos 16 e 17 do capitulo 2, tratam da advertência de Paulo sobre o cerimonialismo. Especificamente, o versículo 16 faz referência a um calendário de culto: “dias de festa”, “lua nova”, “sábados”.  Por mencionar o “sábado”, tudo indica que existia algum aspecto judaico na heresia colossense. No versículo 17, Paulo diz que “tudo isso”, as práticas cerimonias, “tem sido sombra das coisas que haviam de vir”. Paulo, em Rm 15.4 e 1Cor 10.1-11, afirma que tudo o que foi escrito, ou seja, o Antigo Testamento, tinha como finalidade nos ensinar, de nos deixar exemplos , de nos advertir  de forma que não repitamos os mesmos erros do povo da Antiga Aliança. Tudo o que foi escrito encontra seu sentido completo, pleno em Cristo. “O corpo é de Cristo” (Cl 2.17). Paulo usa o termo σῶμα (Soma). Aqui tem sentido figurado daquilo que é real, total, completo, ou seja, a realidade encontra-se em Cristo. Em Cristo, através de sua encarnação, “nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl 2.9). Diante da realidade que é Cristo, plenitude da Divindade, todas as cerimonias podem ser omitidas e ninguém pode ser julgado se não praticá-las (Cf. Cl 2.16), pois elas são apenas “sombras”, em grego, σκιὰ (skia), que significa: sobra, obscuridade, trevas, aparência, coisa sem valor (Cf. texto grego: Mt 4.16; Lc 1.79; At 5.15; Hb 8.5).
Portanto, em Cristo, aquele que havia de vir, tudo encontra seu sentido pleno. As cerimônias, inclusive a guarda do sábado, são sombras, diante de Cristo. Depois do Evangelho, Cristo encarnado, todas as práticas cerimoniais antigas são ressignificadas ou até mesmo podem ser omitidas sem que sejamos julgados por isso. “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão” (Gl 5.1).

DISTANCIAMENTO DA GUARDA DO SÁBADO
No Antigo Testamento Deus descansou de suas obras. No Novo Testamento, Deus continua trabalhando: "Por isso os judeus perseguiram a Jesus, porque fazia estas coisas no sábado. Mas Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também. Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus" (Jo 5.16-18). Jesus e os apóstolos eram judeus, por isso, muitas vezes foram à sinagoga ou ao templo para participar das orações determinadas. No entanto, após a ascensão de Jesus, os cristãos passaram a se distanciar de algumas práticas judaicas, inclusive o sábado. O dia do Senhor passa a ser o primeiro dia da semana, o domingo. Em At 20.7 está escrito: "No primeiro dia da semana, tendo-nos reunido a fim de partir o pão..." A expressão "partir o pão" significa a celebração da ceia cristã (culto).

COM RELAÇÃO AO TEXTO DE ATOS 17.2
“Paulo, segundo o seu costume, foi procura-los e, por três sábados, arrazoou com eles acerca das Escrituras”.
Os “defensores do Sábado” se baseiam nesse texto para dizer que Paulo continuou observando o sábado, como dia sagrado. Porém, o texto de Atos não diz que Paulo foi à sinagoga para cumprir preceito, mas para "discutir". Como estando entre os gregos, foi também em um de seus templos (Cf. At 17.16-31). Nem por isso, guardava costumes gregos.

COM RELAÇÃO AO TEXTO DE ATOS 22.3
“Sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas criado nesta cidade. Fui instruído rigorosamente por Gamaliel na lei de nossos antepassados, sendo tão zeloso por Deus quanto qualquer de vocês hoje”.
Questionam os defensores do sábado: “Como não observava a guarda de nenhum dia se ele mesmo se define como instruído e zeloso da lei dos judeus?”
Com relação ao questionamento acima, afirmamos: Paulo faz um relato da sua conversão, lembrando-se de sua vida passada quando vivia nos preceitos do judaísmo. O texto não indica que ele seguia, a partir de sua conversão, os costumes judaicos.
Portanto, o texto de Atos 22.3 não é argumento seguro para sustentar que Paulo continuou seguindo os costumes judaicos. Pelo contrário, Paulo utilizou-se de seus conhecimentos e experiência no judaísmo, para apresentar o Evangelho para os próprios judeus.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Após a ressurreição de Jesus, os cristãos não mais passaram a observar o sétimo dia, mas o primeiro dia da semana como dia descanso. O domingo é para os cristãos o “dia do Senhor” (κυριακῇ ἡμέρᾳ -Cf. Ap 1.10)  em memória de sua ressurreição (Cf. At 20.7;1Cor 16.2). Todos os dias são santos para o Senhor. No entanto, os cristãos reservaram o domingo para santificarem suas próprias vidas na escuta da Palavra e na adoração ao Senhor.

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Lúcio Rufino Pinheiro

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