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domingo, 8 de dezembro de 2019

DIVINDADE DE CRISTO (DEBATE)


A “expressão “Eu Sou” (ἐγὼ εἰμί ) que se encontra em Jo 8.58 e em outros textos,  tem relação com a revelação divina a Moisés (Cf. Ex 3.14). Diz respeito à natureza divina.  Se não diz respeito à natureza divina,  questionamos:
1.       Por que os judeus ficaram revoltados com Jesus ao usar a expressão “Eu sou” (Cf. Jo 8.21-59)?
2.       Por que os guardas “recuaram e caíram por terra” (Jo 18. 5-7) quando Jesus disse sou eu (em grego, ἐγὼ εἰμί  - eu sou)?

3.       Segundo Jo 9.38, o cego curado adorou Jesus. Se Jesus não é Deus, por que não reprendeu o cego que fez uma atitude de adoração que só compete a Deus?
4.       O que significa a expressão: “eu e o Pai somos um?” (Jo 10.30);
5.       O que significa a expressão: “O pai está em mim, e eu estou no Pai”? (Jo 10.38);
6.        O que significa a confissão de fé de Tomé, “Senhor meu e Deus meu” (Jo 20.28)? Se Jesus é Deus, por que o mesmo não corrigiu Tomé ao chamá-lo de Deus e Senhor?

MISTÉRIO DA ENCARNAÇÃO
O mistério da encarnação consiste em afirmar que Deus encarnou-se, assumiu a natureza humana de forma que na pessoa do Filho, permanecem as duas naturezas, divina e humana. Querer separar as naturezas de Cristo é uma heresia, combatida desde os primeiros séculos do Cristianismo. A Palavra diz que Jesus é Deus encarnado, "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós..." (Jo 1.1,14); e "porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade" (Cl 2.9). Jesus, portanto, plenamente Deus e plenamente homem. Na profissão de fé de Tomé é também revelada a divindade de Jesus: "Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu, e Deus meu!" (Jo 20.28). 1Jo 5.7: “Pois há três que dão no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um só”;Em 1Jo 5.20, sobre Cristo, diz: “Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna”.

“FILHO DE PEIXE, PEIXINHO É”
“Sou filho de Deus, logo sou Deus”; “Anjos são filhos de Deus, logo são de natureza divina”, argumentam os que negadores da divindade de Cristo.
Com relação ao argumento dos que negam a divindade de Cristo, refutamos com os seguintes argumentos:
As premissas estão erradas. Não somos filhos legítimos de Deus, mas adotados. Somos filhos no Filho (dimensão espiritual). Filho legítimo é só Jesus. "E nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade" (Ef 1.5). A carta de São Paulo aos Gálatas nos deixa bem claro: “porque todos sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo” (Gl 3.26).
Sobre os anjos como filhos de Deus, refutamos: anjos são criaturas de Deus, seres espirituais. Não são chamados filhos de Deus e nem têm atributos divinos. O que é criado é inferior ao que cria. Anjos não têm a mesma natureza divina. Somente o Pai, o Filho e o Espírito Santo têm a mesma natureza, ou seja, a divina. Repito: Filho legítimo Deus só tem um: Jesus.

JESUS É O FILHO, OS ANJOS SÃO MINISTROS
"Mas do Filho diz: O teu trono, ó Deus, subsiste pelos séculos dos séculos, e cetro de equidade é o cetro do teu reino"(Hb 1.8).
O texto de Hb 1.8 cita o salmo 45.6-7. O rei mencionado pelo salmista é humano, no entanto, é tratado como o Deus verdadeiro: "o teu trono ó Deus é para todo o sempre" (v.6). O autor da Carta aos Hebreus aplica o salmo para demonstrar a divindade de Cristo e sua superioridade em relação aos anjos. Por que autor escolheu esse texto do salmo e não outro? Não sei. O texto hebraico usa o termo elohim. No texto de Hebreus, o termo usado é θεός (Deus): "Ο θρόνος σου ό θεός " (o teu trono, ó Deus). A tradução "Deus é o seu trono" não parece adequada, pois, no texto grego, não tem o verbo ser (εστίν - é ), mas apenas o pronome σου (teu).

EM QUAL NATUREZA JESUS FOI,  POR UM POUCO, MENOR QUE OS ANJOS?
 “Fizeste-o, por um pouco, menor que os anjos” (Hb 2.7).
O texto de Hebreus 2 não trás a "expressão natureza humana", mas pelo contexto entende-se que está falando do Cristo em sua humanidade. Jesus foi menor que os anjos em sua humanidade. Antes de sua ressurreição e ascensão (sua glorificação) Jesus escolheu não demonstrar seu poder divino a todo momento, por isso, apresentou-se menor que anjos. O versículo 17 diz que "convinha que, em todas as coisas, se tornar-se semelhante aos irmãos". Mas, sendo pessoa divina, Deus sujeitou todas as coisas ao Filho "debaixo de seus pés" (Hb 2.5,8). Hb 1.3 diz que após a purificação dos pecados, Jesus tornou-se "tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles".

JESUS ACIMA DOS ANJOS
No que diz respeito a sua divindade, Jesus está acima dos anjos e é mais excelente (Hb 1.4), pois "todas as coisas estão debaixo de seus pés (Ef 1.22). Ele está acima de tudo, pois nele e por ele foram criadas todas as coisas. Está escrito: "o qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; porque nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele subsistem todas as coisas" (Cl 1.15-17). Depois de subir aos céus , a natureza humana de Jesus é revestida de glória, assim como a nossa será após a ressurreição (Cf. Rm 8.30).

JESUS ABANDOU A NATUREZA HUMANA APÓS SUA MORTE?
Uma vez que Jesus se encarnou, assumiu nossa natureza humana para sempre. A segunda Pessoa possui as duas naturezas também na eternidade.  A Bíblia diz que Jesus é Senhor (Divindade) e que ressuscitou dos mortos (humanidade)(Cf. Rm 10.9). As realidades divina e humana continuam unidas em uma só Pessoa.

CONSIDERANDO QUE NÃO HÁ SEPARAÇÃO DAS NATUREZAS DIVINA E HUMANA DE JESUS, DEUS MORREU OU NÃO NA CRUZ?
 Para a fé cristã, as naturezas divina e humana estão unidas em uma só pessoa  (União hipostática) Jesus é totalmente Deus e homem. Na cruz, o Deus  encarnado é humilhado, torturado e morre. "O qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar,   mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens;  e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que é sobre todo nome" (Fl 2.6-9). Morrer, para a fé cristã não significa que deixou de existir. Por isso, a sua ressurreição é sinal que a vida continua, que a morte não é fim. Isso é uma questão de fé, o homem apenas racional não entenderá jamais. Paulo diz: "Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, E aniquilarei a inteligência dos inteligentes.  Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos. Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens” (1Cor 1.18;22-25). 
Judeus e gregos jamais entenderam a ideia que Deus pudesse se encarnar e morrer. A encarnação e morte de Deus eram escândalo e loucura para os judeus.  Parece que também para alguns cristãos. 
A morte de Cristo  não é derrota, fim, fracasso, mas vitória contra o mal, redenção, libertação, elevação, glória.  Paulo diz: "Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo" (Gl 6.14).
Portanto, a morte de Deus não significa aniquilamento da natureza divina de Jesus, o que impossível, mas sim, que o Verbo Encarnado experimentou a realidade da morte. Assim, como a natureza humana e a natureza divina estão unidas em uma só Pessoa é correto afirmar que Deus morreu na cruz, pois Jesus é Deus.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
 Pra quem nega que o Filho tem a mesma essência (natureza) do Pai, convém lembrar o que diz João: "Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse mesmo é o anticristo, esse que nega o Pai e o Filho.  Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai; aquele que confessa o Filho, tem também o Pai" (1Jo 2.22,23).

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Lúcio Rufino Pinheiro

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