A “expressão
“Eu Sou” (ἐγὼ εἰμί ) que se encontra em Jo 8.58 e em
outros textos, tem relação com a
revelação divina a Moisés (Cf. Ex 3.14). Diz respeito à natureza divina. Se não diz respeito à natureza divina, questionamos:
1.
Por que os judeus ficaram revoltados com Jesus
ao usar a expressão “Eu sou” (Cf. Jo 8.21-59)?
2.
Por que os guardas “recuaram e caíram por terra”
(Jo 18. 5-7) quando Jesus disse sou eu (em grego, ἐγὼ εἰμί - eu sou)?
3.
Segundo Jo 9.38, o cego curado adorou Jesus.
Se Jesus não é Deus, por que não reprendeu o cego que fez uma atitude de
adoração que só compete a Deus?
4.
O que significa a expressão: “eu e o Pai somos
um?” (Jo 10.30);
5.
O que significa a expressão: “O pai está em
mim, e eu estou no Pai”? (Jo 10.38);
6.
O que
significa a confissão de fé de Tomé, “Senhor meu e Deus meu” (Jo 20.28)? Se Jesus é Deus, por que o mesmo não corrigiu Tomé
ao chamá-lo de Deus e Senhor?
MISTÉRIO DA ENCARNAÇÃO
O mistério da encarnação consiste em
afirmar que Deus encarnou-se, assumiu a natureza humana de forma que na pessoa
do Filho, permanecem as duas naturezas, divina e humana. Querer separar as
naturezas de Cristo é uma heresia, combatida desde os primeiros séculos do
Cristianismo. A Palavra diz que Jesus é Deus encarnado, "No princípio era
o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. “E o Verbo se fez
carne, e habitou entre nós..." (Jo 1.1,14); e "porque nele habita
corporalmente toda a plenitude da divindade" (Cl 2.9). Jesus, portanto,
plenamente Deus e plenamente homem. Na profissão de fé de Tomé é também
revelada a divindade de Jesus: "Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu, e Deus
meu!" (Jo 20.28). 1Jo 5.7: “Pois há três que dão no céu: o Pai, a Palavra
e o Espírito Santo; e estes três são um só”;Em 1Jo 5.20, sobre Cristo, diz:
“Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna”.
“FILHO DE PEIXE, PEIXINHO É”
“Sou filho de Deus, logo sou Deus”;
“Anjos são filhos de Deus, logo são de natureza divina”, argumentam os que
negadores da divindade de Cristo.
Com relação ao argumento dos que negam a divindade de Cristo,
refutamos com os seguintes argumentos:
As premissas estão erradas. Não somos filhos legítimos de Deus,
mas adotados. Somos filhos no Filho (dimensão espiritual). Filho legítimo é só
Jesus. "E nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo,
para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade" (Ef 1.5). A carta de
São Paulo aos Gálatas nos deixa bem claro: “porque todos sois filhos de Deus
pela fé em Jesus Cristo” (Gl 3.26).
Sobre os anjos como filhos de Deus, refutamos: anjos são criaturas
de Deus, seres espirituais. Não são chamados filhos de Deus e nem têm atributos
divinos. O que é criado é inferior ao que cria. Anjos não têm a mesma natureza
divina. Somente o Pai, o Filho e o Espírito Santo têm a mesma natureza, ou
seja, a divina. Repito: Filho legítimo Deus só tem um: Jesus.
JESUS É O FILHO, OS ANJOS SÃO MINISTROS
"Mas do Filho diz: O teu trono, ó
Deus, subsiste pelos séculos dos séculos, e cetro de equidade é o cetro do teu
reino"(Hb 1.8).
O texto de
Hb 1.8 cita o salmo 45.6-7. O rei mencionado pelo salmista é humano, no entanto,
é tratado como o Deus verdadeiro: "o teu trono ó Deus é para todo o
sempre" (v.6). O autor da Carta aos Hebreus aplica o salmo para demonstrar
a divindade de Cristo e sua superioridade em relação aos anjos. Por que autor
escolheu esse texto do salmo e não outro? Não sei. O texto hebraico usa o termo
elohim. No texto de Hebreus, o termo usado é θεός (Deus): "Ο θρόνος σου ό
θεός " (o teu trono, ó Deus). A tradução "Deus é o seu trono"
não parece adequada, pois, no texto grego, não tem o verbo ser (εστίν - é ),
mas apenas o pronome σου (teu).
EM QUAL NATUREZA JESUS FOI, POR UM POUCO, MENOR QUE OS ANJOS?
“Fizeste-o, por um pouco, menor que os anjos”
(Hb 2.7).
O texto de Hebreus 2 não trás a
"expressão natureza humana", mas pelo contexto entende-se que está
falando do Cristo em sua humanidade. Jesus foi menor que os anjos em sua
humanidade. Antes de sua ressurreição e ascensão (sua glorificação) Jesus
escolheu não demonstrar seu poder divino a todo momento, por isso,
apresentou-se menor que anjos. O versículo 17 diz que "convinha que, em todas
as coisas, se tornar-se semelhante aos irmãos". Mas, sendo pessoa divina,
Deus sujeitou todas as coisas ao Filho "debaixo de seus pés" (Hb
2.5,8). Hb 1.3 diz que após a purificação dos pecados, Jesus tornou-se
"tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que
eles".
JESUS ACIMA DOS ANJOS
No que diz respeito a sua divindade,
Jesus está acima dos anjos e é mais excelente (Hb 1.4), pois "todas as
coisas estão debaixo de seus pés (Ef 1.22). Ele está acima de tudo, pois nele e
por ele foram criadas todas as coisas. Está escrito: "o qual é imagem do
Deus invisível, o primogênito de toda a criação; porque nele foram criadas
todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos,
sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele
e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele subsistem todas as
coisas" (Cl 1.15-17). Depois de subir aos céus , a natureza humana de
Jesus é revestida de glória, assim como a nossa será após a ressurreição (Cf. Rm
8.30).
JESUS ABANDOU A NATUREZA HUMANA APÓS SUA
MORTE?
Uma vez que Jesus se encarnou, assumiu
nossa natureza humana para sempre. A segunda Pessoa possui as duas naturezas também
na eternidade. A Bíblia diz que Jesus é
Senhor (Divindade) e que ressuscitou dos mortos (humanidade)(Cf. Rm 10.9). As
realidades divina e humana continuam unidas em uma só Pessoa.
CONSIDERANDO
QUE NÃO HÁ SEPARAÇÃO DAS NATUREZAS DIVINA E HUMANA DE JESUS, DEUS MORREU OU NÃO
NA CRUZ?
Para a fé cristã, as naturezas divina e humana
estão unidas em uma só pessoa (União hipostática) Jesus é totalmente Deus
e homem. Na cruz, o Deus encarnado é humilhado, torturado e morre.
"O qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus
coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a
forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; e, achado na forma de
homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de
cruz. Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que é sobre
todo nome" (Fl 2.6-9). Morrer, para a fé cristã não significa que deixou
de existir. Por isso, a sua ressurreição é sinal que a vida continua, que a
morte não é fim. Isso é uma questão de fé, o homem apenas racional não
entenderá jamais. Paulo diz: "Porque a palavra da cruz é loucura para os
que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. Porque está escrito: Destruirei
a sabedoria dos sábios, E aniquilarei a inteligência dos inteligentes. Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam
sabedoria; Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os
judeus, e loucura para os gregos. Mas para os que são chamados, tanto judeus
como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus. Porque
a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais
forte do que os homens” (1Cor 1.18;22-25).
Judeus e gregos jamais entenderam a
ideia que Deus pudesse se encarnar e morrer. A encarnação e morte de Deus eram
escândalo e loucura para os judeus. Parece que também para alguns
cristãos.
A morte de Cristo não é derrota,
fim, fracasso, mas vitória contra o mal, redenção, libertação, elevação,
glória. Paulo diz: "Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na
cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim
e eu para o mundo" (Gl 6.14).
Portanto, a morte de Deus não
significa aniquilamento da natureza divina de Jesus, o que impossível, mas sim, que o Verbo Encarnado experimentou a realidade da morte. Assim, como a natureza
humana e a natureza divina estão unidas em uma só Pessoa é correto
afirmar que Deus morreu na cruz, pois Jesus é Deus.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Pra quem nega que o Filho tem a mesma essência
(natureza) do Pai, convém lembrar o que diz João: "Quem é o mentiroso,
senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse mesmo é o anticristo, esse que
nega o Pai e o Filho. Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai;
aquele que confessa o Filho, tem também o Pai" (1Jo 2.22,23).
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Lúcio Rufino Pinheiro

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