Em Jo 1.1 está escrito: “και θεος ην ο
λογος” (“e o Verbo era Deus”). Na Tradução do Novo Mundo, lemos: “e a Palavra
era um deus”. Esta tradução está correta?
Segundo os que defendem que a tradução
mencionada está correta, o substantivo Deus (θεος) é anartro, ou seja, vem
desacompanhado do artigo. Assim, nesses casos, “θεὸς” deve ser traduzido
indefinidamente (um deus), pois não se refere ao Deus Pai, mas a um deus. Os que usam desse argumento gramatical,
justificam que Jesus não é Deus, mas simplesmente um ser divino, uma espécie de
outro deus intermediário entre Deus (Pai) e a humanidade.
REFUTAÇÃO:
1)
O substantivo “θεος” (Deus) é usado mais de
1319 vezes (aproximadamente) no Novo Testamento, sendo que, em mais de 283
casos, mesmo aparecendo sem o acompanhamento do artigo, faz referência a Deus
como ser definido.
2)
A ausência de artigo não exige que um
substantivo seja traduzido no seu sentido indefinido. Vejamos alguns exemplos:
a)
Rm 9.5 - “θεος” (Deus), não vem acompanhado do
artigo, mas trata-se de Deus (Senhor, Jeová, Javé). Aqui, os que defendem o
argumento do substantivo anartro, se contradizem, pois não traduziram “θεος”
como “um deus”, mas como Deus, como mostra a Tradução do Novo Mundo: “Deus que
está sobre tudo”;
b)
2Cor 2.21: “θεος” aparece sem artigo, mas com
certeza, diz respeito a Deus Pai. Mais uma vez, aqui também, não traduzem como
“um deus”: “e quem nos ungiu, é Deus” (TDM);
c)
Fl 2.13 – Aqui, mais uma vez, o substantivo “θεος”
é anartro, mas não é traduzido segundo a regra dos que defendem que não se
trata de Deus, mas de um ser divino: “pois Deus é aquele” (TNM);
d)
1Ts 2.5 – “θεὸς μάρτυς” (Deus é disto testemunha”). O substantivo Deus (θεὸς)
não é acompanhado de artigo no grego, no entanto, a Tradução do Novo Mundo,
também não traduz “um deus é testemunha”, mas,
“Deus é testemunha”;
e)
Jo 1.18- “Ninguém jamais viu a Deus (θεὸς), o
Deus (θεὸς) unigênito (μονογενὴς)
que está no seio do Pai, é quem o revelou”. No texto grego, não aparece o
artigo precedendo o substantivo “θεὸς” nas duas ocorrências. No entanto, a Tradução do Novo Mundo, traduz o
primeiro termo como Deus, se referindo ao Pai, e o segundo como “o deus”, se
referindo ao Deus unigênito, Jesus: “Nenhum homem jamais viu a Deus; o deus
unigênito, que está ao lado do Pai, é que O revelou”.
O referido texto é uma das provas da divindade de Cristo. A
expressão “unigênito”, em grego “monogenes” (μονογενὴς), explicita a divindade de Cristo e sua origem do Pai,
de tal forma que, como disse Jesus para Filipe, “quem me vê a mim vê o Pai” (Jo
14.9). Fica evidente que, ao traduzir equivocadamente o substantivo anartro “θεὸς”
como “o deus”, há uma intenção ideológica para sustentar a negação da divindade
de Cristo.
3. Em outras passagens, o substantivo anartro “θεὸς” aparece nos
seguintes modos: Relação de contraste ( Rm 7.8; Mt; 4.4; Mt 6.24; Lc 12.21; At
5.29); Quando é usado pela voz de judeu e pagãos ( At 12.22; At 28.6; At 14.11; Jo
9.16; Jo 10.33;); Em nomes próprios ou títulos( Mt 5.9; Jo 1.12; Rm 8.14; Mt 14.33;
At 7.43, Mt 4.9; Mt 4.10); Em questões sobre a divindade (Rm 1.16; Rm 1.17; Rm
1.18; Rm 13.1; Rm 16.27; 1Cor 8.4; 1Cor 8.5; 1Cor 8.6). São apenas alguns textos dentre tantos outros
em que o substantivo Deus não é acompanhado por artigo e nem por isso é
traduzido de forma indefinida.
Portanto, pelos exemplos apresentados, constata-se que o argumento
defendido pelos que negam a divindade de Cristo, a saber: onde aparece o
substantivo anartro, “θεὸς” deve ser traduzido por “um deus” não tem
sustentação segura. Assim, no texto de Jo 1.1: “e o verbo era Deus”, o
substantivo “θεὸς” refere-se a “Deus” na pessoa de Jesus e não a “um deus”
indefinido.
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Lúcio Rufino Pinheiro

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